Colégio da Polícia Militar 

Disciplina: Física

Nome: Jamile Souza Leite

Professor: Alexnaldo Neves

 

 

 

           

ALBERT EINSTEIN

VIDA E OBRA

 

“Sem esta fé eu não poderia ter uma convicção firme e inabalável acerca do valor independente do conhecimento”

Albert Einstein

 

 

 

 

 

Novembro, 2003

Salvador – Ba

 

 

 

ÍNDICE

 

DO NASCIMENTO A ADOLESCÊNCIA  ---------------------------------------------    02                                         

FORMAÇÃO ACADÊMICA                           --------------------------------------------     04

MILEVA MARIC- sua primeira esposa         --------------------------------------------     07

OBRAS DE EINSTEIN                                     -------------------------------------------            09

PRÊMIO NOBEL                                         ------------------------------------------     09

A VINDA A AMÉRICA DO SUL                ------------------------------------------     12

UM PACIFISTA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL ---------------------------   15       

A CHEGADA AOS  ESTADOS UNIDOS      -------------------------------------           ----       16       

MORTE                                                          -----------------------------------------      17

FRASES DE EINSTEIN                               ------------------------------------------     18

REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS   ---------------------------------------        19

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DO NASCIMENTO A ADOLESCÊNCIA

 

 

Albert Einstein nasceu às 11:30 hs de uma sexta-feira na cidade alemã de Ulm ( hoje, Württemberg - sul da Alemanha ) no dia 14 de março de 1879 registrado no cartório da cidade sob o nº 224. Filho de Hermann Einstein, um pequeno industrial judeu e de Pauline Koch que se casaram no dia 08 de agosto de 1876 na sinagoga de Connstatt e foram residir em Münsterplatz e, em 1878, em Bahnhofstrasse, estabelecendo-se posteriormente em Ulm. Naquela época,  ele era sócio de uma fábrica de colchões e o negócio não ia muito bem e, em conseqüência, decidiram transferir-se em 21 de junho de 1880 para  Munique  ( em alemão München, cidade da Alemanha e capital da Bavária(em alemão Bayern) ou Baviera às margens do rio Isar )   e, juntamente, com o seu irmão Jakob montar uma empresa de instalações de água e gás, pois Jakob era engenheiro e com um bom grau de qualificação nessa área. A empresa foi inaugurada em 11 de outubro do mesmo ano onde Hermann era o responsável pela parte comercial e financeira, pois, investira pesado juntamente com sua esposa  em decorrência do projeto ser viável e promissor, tanto que Jakob um pouco mais ambicioso e com uma melhor visão nesse ramo, propôs, alguns anos mais tarde, a construção de uma fábrica com o intuito de fabricar equipamentos elétricos de medição, lâmpadas, dínamos, etc. A idéia foi concretizada  e em 06 de março de 1885 a fábrica foi instalada em Munique tendo sido  registrada com a denominação " Elektrotechnische Fabrik J. Einstein und Co. ". Durante esse período, mais precisamente, no dia 18 de novembro de 1881 nasce Maja sua primeira e única irmã. Eles trabalharam no fornecimento de estações de elétrica de Munique  - Schwabing, como também, nas cidades de Varèse e Susa, na Itália.

Transcorrido esse período a família residia em Sendling, um subúrbio de Munique onde os seus filhos, Albert Einstein e Maja  passaram a maior parte de sua infância. Entre mudanças de cidades e falências das empresas do seu pai, Einstein enfrentou o autoritarismo da escola alemã e os preconceitos raciais tão intensos naquela época. Logo cedo demonstrou aptidão para atividades individuais. Ao invés de jogos infantis no jardim, com as outras crianças, preferia construir, sozinho, complicadas estruturas com cubos de madeira e grandes castelos de cartas de baralho, alguns com catorze andares. Aos sete anos ele demonstrou o teorema de Pitágoras, para surpresa do seu tio Jakob, que poucos dias antes lhe ensinara os fundamentos da geometria (Fölsing, p.22).

Mas, se para a matemática e para as ciências naturais ele era mais do que bem dotado, porque possuidor de grande intuição e habilidade lógica, para as disciplinas que exigiam capacidade de memória era um fracasso! Geografia, história, francês e, particularmente, o grego constituíam obstáculos quase intransponíveis; decorar conjugações de verbos era para ele um horror! Enfim, no conjunto das suas habilidades infantis, nada deixava transparecer o gênio que viria a ser; seus familiares acreditavam até que ele poderia ter algum tipo de dislexia (Clark, p.27).

Em conseqüência das suas dificuldades para memorizações ele se desinteressa pelas aulas que exigem tais habilidades, provocando violentas reações dos seus professores. Tanto, que certo dia o diretor da escola, coincidentemente o professor de grego, convoca-o para uma reunião e declara, entre outras coisas, que seu desinteresse pelo grego era uma falta de respeito pelo professor da disciplina, e que sua presença na classe era péssimo exemplo para os outros alunos. Encerrando a reunião, o professor disse que Einstein jamais chegaria a servir para alguma coisa (Fölsing, p. 28). A partir desses fatos, parece natural, à luz da psicanálise, o "esquecimento" que Einstein sempre demonstrou ter em relação à sua infância e à sua adolescência. Apenas três fatos desse período lhe são relevantes: as lições de violino que sua mãe lhe dava, as "aulas" de geometria do seu tio Jakob e a história da bússola. Certo dia, quando aos cinco anos se recuperava de uma enfermidade, Einstein ganhou do pai uma bússola de bolso que lhe causou profunda impressão, pois o ponteiro sempre apontava para o mesmo lugar, não importando a posição em que a bússola fosse colocada. Nas suas notas autobiográficas (Schilpp, p.9) ele descreve esta reação com a palavra alemã "wundern", que pode ser traduzido por "milagre". O mesmo tipo de sensação ele teve quando aos doze anos leu um livro de geometria, e imediatamente lembrou-se da demonstração do teorema de Pitágoras que fizera aos sete anos. Da sua época colegial ele costumava dizer que "os professores da escola primária pareciam sargentos, e os do ginásio pareciam tenentes" (Frank, p.11).

Aos quinze anos Einstein abandona o Gymnasium e parte para Milão, onde vivem seus pais. Um ano depois seu pai comunica que não pode mais lhe dar dinheiro, pois a fábrica estava, mais uma vez, à beira da falência. "É preciso que você arranje uma profissão qualquer, o mais rápido possível" (Levy, p.24), sentencia o senhor Hermann Einstein. Foi então que Albert decidiu fazer física, mas, não possuindo o diploma do Gymnasium, ele não podia entrar na universidade. Como alternativa ele poderia freqüentar um instituto técnico, e Einstein escolhe simplesmente o mais renomado da Europa central, a Escola Politécnica Federal (Eidgenössische Technische Hochschule), a ainda hoje famosa ETH, em Zurique (Suiça). Na primeira tentativa de ingresso ele é reprovado nas provas de botânica, zoologia e línguas modernas, mas seu excelente resultado em física chamou a atenção do diretor da escola, que lhe aconselha a freqüentar uma escola cantonal em Aarau, próxima a Zurique, a fim de obter o diploma dos estudos secundários, com o qual adquiriria o direito de freqüentar a ETH, ou a universidade.

Em 1895, aos dezesseis anos, Einstein estava mais do que feliz no ambiente livre e motivador da escola cantonal, e se preocupava com um problema que nem ele, nem seu professor sabiam resolver: queria saber qual o aspecto que teria uma onda luminosa para alguém que a observasse viajando com a mesma velocidade que ela!! Este problema voltaria tempos depois, quando Einstein formulou sua teoria da relatividade.

 

 

 

 

 

 

 

FORMAÇÃO ACADÊMICA

 

 

 

Em 1896, após a conclusão do secundário, ele é aceito na ETH como estudante de matemática e física, mas, para sua surpresa e decepção, a Escola Politécnica não atendia suas expectativas. Ao contrário da escola de Aarau, onde as aulas se desenvolviam em estimulantes discussões, na ETH os professores se contentavam em ler, em voz alta, livros inteiros! Para fugir do tédio de aulas tão monótonas, Einstein decide "gazeteá-las", aproveitando o tempo livre para ler obras de física teórica. Devora livros e mais livros que os professores da ETH deixavam de lado: Boltzmann, Helmholtz, Hertz, Kirchhoff, Maxwell, entre outros. Aqui, como no ginásio alemão, ele atrai a má vontade dos seus professores, e isso lhe custará caro. Para ilustrar a imagem que alguns professores tinham de Einstein, conta-se que Minkowski teria dito, alguns anos depois do artigo sobre a teoria da relatividade: "para mim isso foi uma grande surpresa, porque na época dos seus estudos Einstein era um preguiçoso. Ele não demonstrava qualquer interesse por matemática" (Feuer, p.94).

Esses quatro anos passados na ETH (1896-1900) são apenas superficialmente documentados na literatura. Nas suas notas autobiográficas (Schilpp, p. 3-95), Einstein diz que ali teve excelentes professores, mas menciona apenas dois: Hurwitz e Minkowski. Confessa que passou a maior parte do tempo nos laboratórios, fascinado com as experiências, e que era aluno negligente na maioria dos cursos; confessa também que usou os apontamentos de um aluno aplicado para se submeter aos exames. Sabe-se hoje que esse colega era Marcel Grossmann (Levy, p.32; Fölsing, p.53), a quem Einstein dedica sua tese de doutorado, "Sobre uma nova determinação das dimensões moleculares" ("Eine neue bestimmung der moleküldimensionen"), apresentada na Universidade de Zurique em 1905.

São as cartas trocadas entre Einstein e Mileva Maric, sua primeira mulher (Renn e Schulmann), que melhor esclarecem esse período passado na ETH. Sabe-se, a partir desse material, que ele adora ler Helmholtz e Hertz. Essas leituras constituem, provavelmente, o impulso inicial para a teoria da relatividade. Vejamos o que ele diz em carta de 1899: "(...) estou relendo Hertz, a respeito da propagação da força elétrica, com muito cuidado, porque não entendi o tratado de Helmholtz sobre o princípio da mínima ação em eletrodinâmica. Estou cada vez mais convencido de que a eletrodinâmica dos corpos em movimento, como é apresentada hoje, não corresponde à realidade, e que será possível apresentá-la de modo mais simples. A introdução do termo 'éter' em teorias de eletricidade levou à concepção de um meio cujo movimento pode ser descrito sem ser possível, creio eu, atribuir um sentido físico a ele. Acho que as forças elétricas podem ser diretamente definidas apenas para espaços vazios - algo que Hertz também enfatiza" (Renn e Schulmann, p. 49). Em outra carta do mesmo ano, ele diz: "Tive uma boa idéia em Aarau para investigar a maneira com que o movimento relativo de um corpo com relação ao éter luminífero afeta a velocidade de propagação da luz em corpos transparentes. Até pensei em uma teoria sobre o fenômeno que me parece bastante plausível" (Renn e Schulmann, p.54).

A despeito de toda privação material a que estava submetido, chegando mesmo a passar dias alimentando-se precariamente, o ambiente cultural de Zurique lhe proporcionava momentos de grande felicidade. Como se sabe, nessa parte da Europa central estavam em gestação naquele momento as três grandes revoluções da virada do século: o marxismo, a psicanálise e a física moderna. A agitada Zurique é então considerada o berço pacífico das revoluções européias; por ali circulam personalidades hoje famosas: Lenin, Trotsky, Plekhanov (para alguns o grande mentor da revolução soviética), Rosa Luxemburg, Théodor Herzl (o fundador de Israel), Chaim Weizman (o primeiro presidente de Israel). Nas repúblicas estudantis se discute o socialismo, e o clima de liberdade é inebriante. Ao chegar a Zurique, em 1900, para trabalhar no hospital psiquiátrico Burghölzli, Jung logo percebe, como declarou anos depois, essa atmosfera de liberdade (Feuer, p.33).

É nesse ambiente cultural que o jovem Einstein forja sua cultura científica. Lê Kant entre a adolescência e a juventude e se inicia, durante o período da ETH, na leitura de autores socialistas, particularmente Marx e, evidentemente, Mach. Tais leituras foram, aparentemente, induzidas pelo seu colega Friedrich Adler. Estudante de física com propensão à filosofia, Adler era verdadeiramente um ativista político e, já na adolescência, um inveterado leitor dos clássicos do marxismo. Mais tarde abandona a carreira científica para se dedicar à política, ocupando vários cargos importantes no partido socialista austríaco. Em 1916 choca o mundo ao assassinar o primeiro ministro da Áustria. Seu julgamento, em 18 e 19 de maio de 1917, resulta na condenação à morte; posteriormente teve sua pena comutada para prisão perpétua, e ao final da guerra foi anistiado. Para Einstein, Adler parecia ser o único estudante que havia realmente entendido o curso de astronomia (Feuer, p.38). Esta capacidade intelectual de Adler parecia vir do berço; para Engels, Victor Adler, pai de Friedrich, era "o mais capaz entre os chefes da Segunda Internacional" (Feuer, p. 48).

Em busca do primeiro emprego

Em cartas de 1900, percebe-se a natural preocupação de Einstein com a obtenção de um emprego. Ao concluir o curso, em agosto de 1900, ele manifesta esperança de ocupar o cargo de assistente do professor Hurwitz (Renn e Schulmann, p.65), para logo depois descobrir que perdeu o emprego por influência do seu ex-orientador, H.F. Weber (Renn e Schulmann, p. 68). Começam aqui as manifestações de má vontade de seus ex-professores. Tenta, em vão, empregos de assistente nas Universidades de Göttingen e de Leipzig. Aliás, o cargo de assistente na Universidade de Göttingen dificilmente seria ocupado por Einstein, pois exigia o doutorado. No entanto, havia outro cargo na mesma universidade que não exigia o doutorado, mas foi ocupado por Johannes Stark, que veio a se transformar em ardoroso nazista e ferrenho anti-semita. É interessante chamar a atenção para a existência do preconceito anti-semita, já que isso incomodava Einstein sobremaneira. O insucesso na obtenção de um emprego universitário, logo após a formatura, obriga Einstein a aceitar um cargo temporário numa escola secundária; alguns meses depois está desempregado e passa a ministrar eventuais aulas particulares.

Ainda com o forte impacto do livro de Mach, "História da Mecânica" (Schilpp, p.21) e sob a influência inicial de Adler, Einstein prossegue seus estudos científicos com uma visão política marxista. Em 1902, quando se transfere para Berna, um pouco antes de assumir seu primeiro emprego fixo, no Departamento Suiço de Patentes (23 de junho de 1902), Einstein "cria", ao lado de dois amigos, Conrad Habicht e Maurice Solovine, a Academia Olímpia, que, como toda academia, tem seus "membros correspondentes" (Paul Habicht, Michele Besso e Marcel Grossman). Esse grupo de boêmios, recém-formados à procura de emprego, constitui uma contra-cultura das mais profícuas da história da ciência; pode-se comparar a Academia Olímpia ao grupo de discussão liderado por Freud, e que na mesma época se reunia em Viena.

As discussões na Academia Olímpia giravam em torno de ciência, filosofia e política, a partir das idéias de Marx e Mach. Com esses colegas Einstein discute seus primeiros trabalhos sobre a teoria da relatividade, mas muito mais do que interesse científico embutido na formação da Academia Olímpia, havia, sobretudo, um conflito de gerações e uma motivação sócio-política muito próxima dos ideais marxistas; Adler estava por ali para fornecer o suporte teórico!! Simpatias pessoais são elementos poderosos na fermentação de idiossincrasias e perfis psicológicos.

Em 1908, sensibilizado com a situação do amigo, Adler escreve ao pai: "(...) há um homem chamado Einstein que estudou ao mesmo tempo que eu, e seguiu os mesmos cursos que eu segui. Nossa evolução foi bastante semelhante (...); ninguém se sensibiliza com suas necessidades, ele passou fome durante um certo tempo e durante seus anos de estudos foi tratado com certo desprezo por seus professores da Escola Politécnica; a biblioteca lhe foi fechada, etc., ele não sabia como devia se comportar com as outras pessoas. Finalmente, ele conseguiu um emprego no Departamento de Patentes de Berna e continuou a trabalhar em física teórica, a despeito de todas essas infelicidades. (...) é um escândalo, não apenas aqui, mas também na Alemanha, o fato de que um homem desta qualidade trabalhe no departamento de patentes" (Feuer, p. 39). Um pouco depois dessa carta Einstein é admitido como privadozent na Universidade de Berna.

Numa segunda oportunidade Adler demonstra sua fidelidade ao amigo. Em 1909, quando surgiu uma vaga para Professor Assistente na Universidade de Zurique, um conselheiro, correligionário político de Adler (seu pai ocupava cargo importante no partido socialista) sugeriu seu nome para a vaga aberta. Ao recusar o cargo, ele declarou perante o conselheiro: "Sendo possível ter um homem como Einstein em nossa Universidade, é um absurdo me nomear. Não se pode comparar minha habilidade de físico com aquela de Einstein. É um homem que pode elevar o nível geral da Universidade. Não percam esta ocasião". (Levy, p. 57). Em 7 de maio de 1909, já famoso, Einstein obtém seu primeiro emprego universitário permanente: Professor Assistente de Física Teórica da Universidade de Zurique.

 

 

A imprensa mundial tem explorado o suposto lado perverso da personalidade de Albert Einstein. Essa abordagem, beirando o sensacionalismo, é recorrente quando se trata de mitos e gênios da Humanidade. Esquecem que gênios nas suas especialidades, esses mitos geralmente são absolutamente normais em outras circunstâncias do seu cotidiano, e, como qualquer indivíduo, sujeitos a desvios comportamentais. A história está repleta de exemplos de falsas imagens (valorizadas ou denegridas) de mitos em conseqüência da divulgação de fatos isolados, sem a devida contextualização. É o caso, por exemplo, de uma matéria assinada por Juan Carlos Gumucio ("El País"), veiculada no jornal Folha de São Paulo (FSP) em 27/11/96 (1o caderno, p. 13).

 

 

 

MILEVA MARIC

- sua primeira esposa –

 

 

Sob o título Cartas revelam um Einstein dominador, o texto registra as seguintes informações: (1) Mileva Maric, primeira mulher de Einstein, era uma brilhante cientista sérvia que abandonou sua carreira para cuidar dos dois filhos do casal. (2) Em carta de 1914, Einstein teria dirigido a Mileva tratamento mais do que grosseiro ("Você terá de se encarregar de que minha roupa esteja sempre em ordem (...). Você deve renunciar a todo tipo de relações pessoais comigo(...). (3) Einstein mantinha um relacionamento secreto com sua prima Elsa Lowenthal. Outros meios de comunicação exploraram a informação de que depois da separação, Einstein jamais visitou os filhos.

Tendo o parágrafo acima como única fonte, o perfil de Einstein não poderia ser melhor do que o de um monstro. Todavia, é necessário ter em mente o contexto e o provável cenário psicológico para entender comportamentos aparentemente doentios. Talvez o mais biografado dos cientistas, é natural que muita mistificação tenha se difundido a respeito de Einstein. Todavia, biógrafos como Abraham Pais (que privou da sua amizade), Gerald Holton, Jürgen Renn, Robert Schulmann e Phillip Frank constituem fontes fidedígnas, a partir das quais podemos repor a verdade histórica.

Em primeiro lugar, Mileva Maric não era uma "brilhante cientista". Era realmente uma mulher de destacada capacidade intelectual, mas daí a ser brilhante, vai uma grande diferença. A ilação de que ela havia colaborado na formulação da teoria da relatividade surgiu logo depois da descoberta, em 1986, de um conjunto de cartas de Einstein, no período em que este tentava conquistá-la. Em uma ou outra dessas cartas, quando Einstein falava nos estudos, referia-se ao "nosso trabalho". Uma breve polêmica alimentou os meios de comunicação de massa e algumas revistas especializadas, mas o equívoco foi logo evidenciado.

Einstein e Mileva conheceram-se em 1896, quando ambos ingressaram na ETH, juntamente com Marcel Grossman, Louis Kollross, Jakob Ehrat e outros seis calouros. Concluíram o curso no primeiro semestre de 1900, mas ela fracassou, por duas vezes, nos exames para a obtenção do Diploma de professor secundário. Durante a segunda tentativa, em julho de 1901, ela estava com uma gravidez de três meses (Lieserl, a filha de Einstein cujo destino é desconhecido). Deprimida, retorna à casa paterna e abandona o plano para a obtenção do diploma da ETH.Casaram-se em janeiro de 1903. Em maio de 1904 nasce o primogênito, Hans Albert. O segundo filho, Eduard, nasce em julho de 1910, quando são evidentes os sinais de desgaste do casamento. Já em 1909, Mileva escreve para uma amiga reclamando que a fama de Einstein não lhe deixa tempo para a família. Torna-se cada vez mais taciturna e descuidada com a aparência. O sonho estava chegando ao final, mas a gota d’água foi a transferência para Berlin, em 1914, quando supostamente Einstein escreve uma espécie de memorando dirigido a Mileva, no qual ele estabelece as incríveis condições para continuarem juntos. Mileva e os dois filhos retornam para Zurique. Einstein leva os três até a estação ferroviária, e chora na volta para casa (Pais, 1994, p.18).

A partida de Mileva alíviou a vida de Einstein, mas foi com grande dificuldade que ele enfrentou a separação dos filhos. Ao contrário do que tem sido veiculado em parte da imprensa, Einstein não foi um pai relapso. Através do seu grande amigo, Michele Besso, professor na ETH, Einstein mantém-se informado sobre sua família (Speziali). Em dezembro de 1915 ele informa a Besso sua intenção de ir até Zurique para encontrar-se com seus filhos, mas o constante fechamento da fronteira da Alemanha com a Suiça, em razão da primeira guerra mundial, impede sua viagem. Em maio de 1916 ele se mostra contente pelo fato de que o amigo proporciona momentos de diversão aos seus filhos. A correspondência prossegue, alternando discussões científicas com notícias familiares. Ainda em 1916, mostra-se bastante preocupado com o estado de saúde de Mileva, que sofre de uma tuberculose cerebral. Resolve, momentaneamente, não incomodá-la com a questão do divórcio, que afinal será concedido em 1919. Enfim, Einstein e Mileva viveram quase uma década de grande paixão, com um final tão trágico quanto comum. Nesse contexto é mais do que natural que atitudes extremadas tenham sido tomadas em momentos de insuportável tensão.

Em setembro de 1917 Einstein muda-se para a casa da sua prima, Elsa Löwenthal, com quem vive até sua morte, em 20 de dezembro de 1936. Viúvo aos 57 anos, Einstein permanece nesta condição o resto da sua vida, até 18 de abril de 1955.

Sua vida conjugal foi conturbada não apenas pelo fracasso do primeiro casamento, mas também pelo saúde debilitada de Mileva e do filho caçula, Eduard. Mileva, em constante crise de melancolia, morreu em Zurique, em 1948. Eduard, que herdou do pai os traços faciais e os talentos musicais, herdou da mãe a tendência para a melancolia. Escreveu poesias. Estudou medicina e queria ser psiquiatra. Muito cedo Einstein reconheceu indícios de demência no filho, que veio a falecer no Hospital Psiquiátrico Burgholz, Zurique, em 1965.

 

 

 

 

 

OBRAS DE EINSTEIN

 

 

Antes de apresentarmos alguns dos trabalhos elaborados por Albert Einstein, é interessante estabelecermos o panorama da física no final do século passado e início deste século. Aquilo que hoje se denomina física moderna surge com algumas experiências cujos resultados não puderam ser explicados nem pela mecânica newtoniana, nem pela teoria eletromagnética de Maxwell. Várias das experiências que propiciaram a ruptura com o que hoje se denomina física clássica tiveram origem nos estudos que Faraday realizou por volta de 1830, referentes a descargas elétricas em gases rarefeitos. Todavia, fenômenos estranhos e inexplicados só foram observados depois de 1870. O efeito fotoelétrico foi descoberto por Hertz em 1887; as raias espectrais do hidrogênio começaram a ser observadas por Balmer em 1885; os raios X foram descobertos por Röntgen em 1895; Becquerel observa, em 1896, fenômenos que resultaram na descoberta da radioatividade; em 1897 Pierre e Marie Curie descobrem o elemento radioativo rádio. Ao lado desses resultados absolutamente inusitados, deve-se salientar a importância dos estudos referentes às radiações emitidas pelos materiais aquecidos, uma linha de pesquisa que girava em torno do problema da radiação de corpo negro, cujo enigma desafiou a inteligência humana durante muito tempo, particularmente na segunda metade do século passado. A ruptura com o conhecimento clássico e o surgimento da física moderna se dá inicialmente com a realização dessas experiências nas duas últimas décadas do século passado; as tentativas para entendê-los originaram a teoria quântica.

Por volta de 1900, o professor da Universidade de Berlim, Max Planck, propõe, na seqüência de uma série de trabalhos, o modelo de absorção e emissão discreta de radiação, introduzindo uma constante universal, hoje denominada constante de Planck. Cinco anos depois Einstein utiliza a teoria de planck e explica o efeito fotoelétrico. Neste mesmo ano de 1905 ele publica mais quatro artigos sobre os quais falaremos mais abaixo. Entre 1911 e 1913, Niels Bohr, um jovem dinamarquês em estágio de pós-doutorado nas Universidades de Cambridge e Manchester, desenvolve o primeiro modelo atômico da era moderna, obtendo enorme sucesso na explicação do espectro discreto do átomo de hidrogênio; era o início da teoria quântica. Assim, sob um ângulo personalista podemos dizer que a revolução em curso é sustentada pelo triplé Planck-Einstein-Bohr.

PRÊMIO NOBEL

Einstein é popularmente conhecido como o pai da teoria da relatividade, mas recebeu o Prêmio Nobel especialmente pela descoberta da lei do efeito fotoelétrico, fato pouco conhecido pelo grande público. Além dessas duas áreas de conhecimento, Einstein tem contribuições importantes em várias outras áreas da física. Seu primeiro artigo científico foi publicado em 1901, na Annalen der Physik, sobre as "conseqüências do efeito da capilaridade", um problema de termodinâmica. Continua nessa linha de trabalho até 1905, publicando dois artigos em 1902, um em 1903 e outro em 1904, todos na Annalen der Physik. Depois vêm os magníficos trabalhos de 1905, para muitos, o annus mirabilis da sua vida científica.

O primeiro artigo deste ano miraculoso foi publicado com o título "Über einen die Erzeugung und Umwandlung des Lichtes betreffenden heuristischen Standpunkt" ("Sobre um ponto de vista heurístico concernente à geração e transformação da luz"). Entre os cinco, este foi o único considerado revolucionário pelo próprio Einstein. Em carta ao amigo Conrad Habicht, Einstein comenta: "(...) O artigo trata da radiação e das propriedades energéticas da luz e é muito revolucionário, como você verá(...)" (Stachel, p. 5). É neste artigo que Einstein formula a lei do efeito fotoelétrico, fazendo uso da constante de Planck para definir o quantum de energia do fóton, uma partícula associada à luz. Sob vários aspectos esse trabalho ocupa um lugar de destaque na história da física. Em primeiro lugar ele retoma a interpretação corpuscular da luz, uma idéia defendida por Isaac Newton e que fora abandonada depois dos efeitos de interferência observados por Thomas Young em 1801. Depois, há uma ironia nessa história. O triunfo da teoria ondulatória da luz teve seu auge com o estabelecimento das equações de Maxwell, em 1861, segundo as quais a luz era identificada com as ondas eletromagnéticas. A existência das ondas eletromagnéticas foi comprovada em 1887 através de experimentos realizados por Heinrich Hertz. Ao mesmo tempo em que gerou ondas de rádio ("ondas hertzianas"), Hertz observou que a incidência de luz sobre um objeto metálico provocava uma corrente elétrica; estava descoberto o efeito fotoelétrico!

O segundo artigo, "Eine neue Bestimmung der Moleküldimensionen" ("Sobre uma nova determinação das dimensões moleculares"), foi aceito, no mesmo ano, como tese de doutoramento na Universidade de Zurique. Nas palavras do próprio Einstein, o artigo tratava da "determinação do tamanho exato de átomos a partir da difusão e da viscosidade em soluções diluídas de substâncias neutras" (Stachel, p. 5).

O terceiro artigo, "Über die von der molekulartheoretischen Theorie der Wärme geforderte Bewegung von in ruhenden Flüssigkeiten suspendierten Teilchen" ("Sobre o movimento de partículas suspensas em fluidos em repouso, como postulado pela teoria molecular do calor"), trata do movimento Browniano, descrito pela primeira vez em 1828, pelo botânico Robert Brown ao observar que o pólen de diversas plantas dispersavam-se na água sob a forma de um grande número de pequenas partículas, as quais apresentavam um movimento aleatório (Einstein, 1956).

O quarto artigo, "Zur Elektrodynamik bewegter Körper" ("Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento") era, segundo Einstein (Stachel, p. 5), "apenas um esboço grosseiro" sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento, usando uma modificação da teoria do espaço e tempo. Este "esboço" contém o primeiro trabalho sobre a teoria da relatividade restrita.

No quinto artigo, "Ist die Trägheit eines Körpers von seinem Energieinhalt abhängig?" ("A inércia de um corpo depende da sua energia?") Einstein propõe sua famosa equação E=mc2. Na carta enviada a Conrad Habicht, Einstein comenta: "Ocorreu-me mais uma conseqüência do artigo sobre a eletrodinâmica (dos corpos em movimento). O princípio da relatividade, em conjunção com as equações de Maxwell, requer que a massa seja uma medida direta da energia contida num corpo; luz transporta massa com ela”.Concluindo que a hipótese poderia ser testada em corpos nos quais o "conteúdo energético é variável em grau elevado, por exemplo, sais de rádio" (Pais, 1995, p. 170), Einstein mostra que não está seguro: "O argumento é divertido e sedutor, mas por tudo que conheço o Senhor pode estar rindo de tudo isso e pregando uma peça em mim" (Stachel, p. 5).

Além do inegável valor científico desses trabalhos, há um interessante contexto de natureza psico-social na elaboração dos mesmos. Trata-se da mais refinada e autônoma produção intelectual, realizada por um técnico do Departamento de Patentes de Berna, sem título de doutor e rejeitado pela comunidade acadêmica.

A partir de 1905 Einstein inicia uma frenética produtividade, com uma média superior a 5 artigos por ano. Esta média diminuiu consideravelmente depois que ele ganhou o Prêmio Nobel, em 1921. Depois dos trabalhos publicados no annus mirabilis, sua contribuição mais importante apareceu num artigo de revisão (1907) intitulado: "Über das Relativitätsprinzip und die aus demselben gezogenen Folgerungen" ("Sobre o princípio da relatividade e as conclusões tiradas dele"). Neste artigo ele introduz as primeiras idéias sobre a teoria da relatividade geral, cuja versão na forma que hoje a conhecemos só foi aparecer em 1915, na seqüência de vários artigos publicados ao longo de oito anos.

Vale lembrar, como curiosidade, que Feuer (p. 100-109) desenvolve uma argumentação segundo a qual impulsos emotivos conduziram Einstein até a denominação teoria da relatividade. Ele chama a atenção para o fato de que o escritor contemporâneo preferido de Einstein era Thorstein Veblen, que tinha uma teoria sobre o relativismo histórico. Uma assertiva originada nos trabalhos de Marx, e usada por Veblen, estabelece que as leis econômicas não são universalmente verdadeiras, mas são relativas a determinado sistema social. Para reforçar parcialmente o ponto de vista de Feuer, é interessante observar que em artigo comemorativo ao septuagésimo aniversário de Einstein, Sommerfeld (Shilpp, p. 99-105) destaca a má escolha do nome teoria da relatividade, chamando a atenção para o fato de que no primeiro trabalho de Einstein, "Sobre a Eletrodinâmica dos Corpos em Movimento", o conceito central é a independência das leis naturais do ponto de vista do observador, e não a percepção relativa de comprimento e duração. Em 1928, o próprio Einstein reconheceu que "princípio da covariância" teria sido uma denominação mais apropriada que "teoria da relatividade". Teriam o ambiente sócio-cultural e o zeitgeist da sua geração o influenciado nesse sentido? Feuer tenta convencer-nos que sim. O caráter emocional do termo "relatividade" foi tão forte a ponto de justificar a denominação, ainda mais artificial, de "teoria da relatividade geral", ao invés de "teoria da gravitação".

Portanto, a teoria da relatividade geral trata de questões gravitacionais e cosmológicas, entre as quais uma teve enorme repercussão, tanto no meio científico, como no grande público, através da cobertura jornalística. Refiro-me à previsão de Einstein, apresentada em artigo de 1911 ("Über den Einflub der Schwerkraft auf die Ausbreitung des Lichtes" - Sobre o efeito da gravidade na propagação da luz), segundo a qual o campo gravitacional deveria provocar a curvatura da luz. Sendo de pouca intensidade, o efeito só poderia ser detectado com a observação de luz passando nas proximidades de um corpo muito massivo. Durante o eclipse solar de 1919, observações realizadas em Sobral, no Ceará, comprovaram a teoria de Einstein.

O respeito adquirido pela importância da sua produção intelectual transformaram-no, em menos de cinco anos, de jovem marginalizado pela intelligentsia, em scholar disputado para proferir conferências em eventos de prestígio e para trabalhar em renomados centros de pesquisa. Em 1909 recebe o primeiro doutoramento honoris causa, pela Universidade de Genebra (nos anos seguintes Einstein recebeu dezenas de honrarias semelhantes). Neste mesmo ano é nomeado Professor Assistente na Universidade de Zurique. Em 1911 o imperador Francis Joseph assina um decreto nomeando Einstein Professor Catedrático na Universidade Karl-Ferdinand, em Praga. Em 1912 transfere-se para a ETH. Em 1913, aos 34 anos, Einstein recebe, talvez, sua primeira grande consagração. Planck visita-o em Zurique para fazer um convite irrecusável: ser membro da Real Academia de Ciências da Prússia, e diretor do departamento de pesquisa do Instituto Kaiser Wilhelm em Berlim. Logo depois, em 1916, publica o artigo "Grundlage der allgemeinen Relativitätstheorie" (Fundamentos da teoria da relatividade geral), e em 1921 ganha o Prêmio Nobel de física.

Depois da relatividade geral Einstein investe numa área de trabalho sem grande sucesso. Trata-se da sua teoria do campo unificado, uma síntese da gravitação, do eletromagnetismo e da teoria quântica, cujo primeiro trabalho ("Beweis für die Nichtexistenz eines überall regulären zentrisch symmetrischen Feldes natch der Feldtheorie von Kaluza" - Prova da não existência de um campo central simétrico universalmente regular de acordo com a teoria de campo de Kaluza) foi realizado com J. Grommer e publicado em 1923 na Scripta Mathematica et Physica, da Universidade de Jerusalém. Decepcionado com os seguidos insucessos ele escreve, em 1954, ao amigo Michele Besso: "Admito como perfeitamente possível que a física pode não estar fundamentada na noção de campo, isto é, em elementos contínuos. Então não restará nada da minha obra - incluindo a teoria da gravitação -, e também praticamente nada da física moderna" (Speziali, p.307).

Um mês antes da sua morte escreveu: "Parece duvidoso que uma teoria de campos possa explicar a estrutura atomística da matéria e a radiação, bem como os fenômenos quânticos. Muitos físicos responderão com um convicto não porque crêem que o problema quântico foi resolvido, em princípio, por outros meios. Todavia, aconteça o que acontecer, resta-nos o consolador ensinamento de Lessing: a aspiração à verdade é mais preciosa do que sua posse garantida." (Pais, 1995, p.556).

 

 

A VINDA A AMÉRICA DO SUL

 

 

Einstein esteve no Brasil em maio de 1925, mas esta visita é apenas ligeiramente mencionada nas mais conhecidas biografias. Philipp Frank refere-se a esta viagem numa única frase: "Em 1925 ele fez uma viagem à América do Sul (...)" (Frank, p.204). No primeiro livro de Abraham Pais, publicado pela Oxford University Press em 1982, esta viagem é mencionada, no apêndice "Uma cronologia de Einstein", numa única linha correspondendo ao ano de 1925: "Maio-junho. Viagem à América do Sul. Visita Buenos Aires, Rio de Janeiro e Montevidéu." (Pais, 1995, p. 624). No livro seguinte Pais dedica dois pequenos parágrafos (Pais, 1994, p.164). Fica-se sabendo que Einstein chegou a Buenos Aires no dia 24 de março, onde ele deveria apresentar duas conferências na Universidade. Dali ele seguiu para Montevidéu, permanecendo uma semana e ministrando três conferências em francês. Do Uruguai ele partiu para o Brasil, para uma semana de permanência no Rio de Janeiro, onde também apresentou conferências. Denis Brian também dedica apenas um parágrafo a esta viagem. Informa que Einstein foi efusivamente recebido pelo embaixador alemão na Argentina e que teve uma crise nervosa durante a viagem, adiando a visita que faria à Califórnia.

Das biografias internacionalmente conhecidas, a de Albrecht Fölsing (p. 548-550) talvez seja a que mais destaca esta viagem. Sobre os contatos científicos na Argentina, Einstein teria escrito no seu diário: "As questões científicas eram tão estúpidas que era difícil permanecer sério." Fölsing é o único que informa o tempo de permanência de Einstein na Argentina: três semanas. Einstein adorou o Uruguai. Disse que ali encontrou "genuína cordialidade como raramente na sua vida". Achou Montevidéu muito mais humana do que Buenos Aires. Sobre a visita ao Brasil, o relato de Fölsing é brevíssimo: "Em conclusão, havia mais um 'grande estado', Brasil. Rio de Janeiro ofereceu as costumeiras festividades, não apenas no âmbito da comunidade judia, como também no clube Germânia." Ronald Clark também dá razoável destaque à viagem, embora parcial: "(...) ele havia previsto uma visita à América do Sul em parte para ministrar conferências na Universidade Estadual Argentina, em parte com a esperança de obter recursos junto aos judeus ricos, para a causa sionista" ( Clark, p 355). Clark não menciona nem o Uruguai, nem o Brasil.

Um comentário significativo, embora breve, é apresentado pelo próprio Einstein, em carta a Michele Besso, datada de 5 de junho de 1925: "Em 1 de junho voltei da América do Sul. Foi uma grande agitação sem interesse verdadeiro, mas também algumas semanas de repouso durante a travessia. (...) Para achar a Europa alegre é preciso visitar a América. Na realidade, as pessoas de lá são desprovidas de preconceitos, mas elas são, na sua grande maioria, vazias e pouco interessantes, mais do que as daqui." (Speziali, p.121).

Recentemente a editora da UFRJ publicou um livro com artigos relatando detalhadamente a visita de Einstein ao Brasil (Moreira e Videira, 1995). O livro apresenta o texto da conferência ministrada por Einstein na Academia Brasileira de Ciências ("Observações sobre a situação atual da teoria da luz"), um artigo de Einstein publicado no jornal argentino La Prensa ("Pan-Europa") e o único artigo científico preparado por Einstein durante a viagem, publicado em espanhol na Revista Matemática Hispano-Americana v.1, p.72-76 (1926), intitulado "A geometria não euclidiana e a física". É interessante notar que nem as conferências apresentadas na América do Sul, nem o artigo publicado na Revista Matemática Hispano-Americana fazem parte da extensa bibliografia de Einstein publicada no livro comemorativo dos seus setenta anos (Schilpp, 1949). O artigo sobre a geometria não euclidiana é mencionado por Abraham Pais no seu segundo livro sobre Einstein (Pais, 1994, p.165). Além da recuperação de material jornalístico da época, o livro também apresenta textos de cientistas contemporâneos importantes, entre os quais destaco (segundo a ordem do sumário do livro) Guido Beck, José Leite Lopes e Herch Moysés Nussenzveig.

Há um artigo muito interessante de Jean Einsenstaedt e Antonio Augusto Passos Videira, intitulado "A relatividade geral verificada: o eclipse de Sobral de 29/05/1919" (Moreira e Videira, p. 77-99). Neste artigo os autores discutem, numa linguagem compreensível pelo grande público, a trajetória de Einstein na formulação da teoria da gravitação, ou teoria da relatividade geral. Conforme já mencionado na seção 5, tudo começa em 1907, quando ao escrever um artigo de revisão sobre a teoria da relatividade restrita, Einstein introduz as primeiras idéias em torno do efeito do campo gravitacional sobre a trajetória da luz. Einsenstaedt e Videira mostram que esta é uma velha questão, já levantada por volta de 1801, quando o astrônomo alemão Johann Georg von Soldner calculou o desvio sofrido por um raio de luz que passa próximo a um corpo celeste. Contudo, mais interessante do que a discussão em torno dos trabalhos de Einstein, são os relatos sobre os preparativos das expedições programadas para observação dos eclipses solares (1912, 1914 e 1919).

Há outros dois artigos igualmente interessantes: um é assinado pelo professor Roberto Vergara Cafarelli, da Universidade de Pisa, intitulado "Einstein no Brasil"; o outro é assinado pelo pesquisador do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST/CNPq), Alfredo Tolmasquim, intitulado "Einstein no Rio de Janeiro: impressões de viagem". Conforme o próprio autor, este último artigo "consiste numa forma de narrativa livre e romanceada da viagem de Einstein, a partir de fontes documentais, tais como correspondências, seu diário de viagem e jornais de época, e em depoimentos de pessoas, tanto através de biografias como oralmente" (In: Moreria e Videira, p.156). As informações apresentadas a seguir constituem uma síntese desses dois artigos.

Aparentemente, o primeiro convite para Einstein visitar a América do Sul foi feito, em 1923, pelo jornalista e escritor argentino Leopoldo Lugones. Naquele ano Einstein estava sendo vítima de perseguição por causa da sua atitude pacifista durante a primeira guerra mundial, e também por causa da sua origem judaica. Lugones lançou a idéia de oferecer-lhe uma cátedra na Universidade de Buenos Aires, ou o título de doutor honoris causa. Einstein gentilmente agradeceu, alegando que suas ocupações não lhe permitiam viajar. Os argentinos não desistiram e em janeiro de 1924 Einstein recebeu uma carta do Reitor da Universidade de Buenos Aires, José Arce, convidando-o para um ciclo de conferências naquela instituição. Em julho de 1924 Einstein aceita o convite e inicia os preparativos para a viagem: marcação das melhores datas, reservar passagens e organizar sua vida para um período de ausência de aproximadamente três meses. A Asociación Hebraica agenciou convites de outras instituições acadêmicas no Uruguai e no Brasil. Assim, Einstein recebeu convites das Universidades de Córdoba, La Plata e Tucumán, na Argentina, da Universidade de Montevidéu, no Uruguai, e da Faculdade de Medicina e Escola Politécnica do Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, o rabino Isaiah Raffalovich entrou em contato com o diretor em exercício da Escola Politécnica, Getúlio das Neves, mas o convite que Einstein recebeu era assinado pelo rabino, em nome de Paulo de Frontin, diretor da Escola Politécnica, e Aloysio de Castro, diretor da Faculdade de Medicina.
Einstein deixou a programação de conferências em aberto, para ser definida de acordo com a disponibilidade de tempo em cada local. No Rio de Janeiro, ele acertou a programação no dia da sua chegada, 4 de maio. Além dos compromissos sociais, incluindo uma visita ao presidente da República, Arthur Bernardes, Einstein faria duas conferências sobre a teoria da relatividade no Clube de Engenharia e na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e faria uma comunicação na Academia Brasileira de Ciências. No Clube de Engenharia encontrou o salão superlotado por embaixadores, generais do exército, representantes dos ministros e engenheiros, muitos deles acompanhados de suas esposas e filhos. Era evidentemente uma platéia apropriada para um espetáculo qualquer, menos para uma conferência científica.

Mesmo na Escola Politécnica e na Academia Brasileira de Ciências, a capacidade da platéia para entender a conferência de Einstein era muito limitada. Eram poucos os que aqui tinham algum conhecimento sobre a mecânica quântica e a teoria da relatividade. Na verdade, não se sabe quem foi o primeiro no Brasil a ter conhecimento das teorias de Einstein. Cafarelli diz que encontrou o nome de Einstein (escrito errado) pela primeira vez em jornais brasileiros em abril de 1919, num pequeno artigo do Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, a propósito da expedição de brasileiros e britânicos em Sobral (Ce) para observar o eclipse solar e testar a hipótese da curvatura da luz feita por Einstein. Provavelmente o artigo foi inspirado pelo professor Henrique Morize, diretor do Observatório Nacional. O pioneiro na divulgação das idéias relativísticas no Brasil foi o físico-matemático Amoroso Costa. Logo depois que os ingleses noticiaram o resultado positivo da observação do eclipse, Amoroso Costa escreveu um artigo no O Jornal, demonstrando conhecimento da teoria da relatividade. Em 1922 ele escreveu um pequeno livro intitulado Introdução à teoria da relatividade. Todavia, o primeiro a fornecer informações mais detalhadas sobre essa área do conhecimento, foi Roberto Marinho, que era professor da Escola Politécnica. Em 1919, antes mesmo de ter conhecimento dos resultados do eclipse, ele escreveu dois artigos sobre a relatividade geral, publicados em 1920 na Revista de Ciências. O primeiro trabalho original sobre relatividade feito no Brasil deve-se a Teodoro Ramos, da Universidade de São Paulo. Trata-se do artigo A Teoria da Relatividade e as Raias Espectrais do Hidrogênio, publicado em 1923 na Revista Politécnica, de São Paulo.

A nota dissonante na recepção a Einstein e sua teoria da relatividade foi dada logo depois da sua partida, em polêmico artigo publicado no O Jornal de 16 de maio, de autoria de Licínio Cardoso, professor de mecânica racional na Escola Politécnica. Intitulado Relatividade Imaginária, o artigo traz o seguinte comentário sobre o livro de Einstein La théorie de la relativité restreinte et genéralisée: “A cada página, pode-se dizer, da obra eu encontrava proposições análogas: umas confundindo o objetivo com o subjetivo, outras afirmando coisas de impossível realização, outras estabelecendo conceitos elementaríssimos e velhos como se fossem novos, tudo, está claro, no meu fraco entender; outras produzindo afirmações incompreensíveis como esta ‘Nous verrons plus tard que ce raisonnement qui s’appelle dans la Mécanique Classique le theorème de la composition des vitesses n’est pas rigoureux et, par conséquent, que ce theorème n’est pas vérifié en réalité’. O que tem a lei abstrata da composição das velocidades com a velocidade particular de cada corpo? Sempre a confusão entre o abstrato e o concreto (...) Demonstrei que o professor Einstein, confundindo os pontos de vista abstrato e concreto, toma por objetivo o que é subjetivo e vice”.-versa e não distingue entre ciência abstrata e relações particulares das existências concretas." (In: Moreira e Videira, p.131).

 

 

 

UM PACIFISTA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

 

Por causa da sua posição pacifista, logo no início da Primeira Guerra Mundial Einstein passou a enfrentar represálias políticas, inicialmente verbais e posteriormente através de atos de vandalismo. Em 12 de fevereiro de 1920, alegando falta de lugares para acomodar todos os interessados, algumas pessoas provocaram distúrbios durante uma aula de Einstein na Universidade de Berlim. Numa declaração à imprensa Einstein afirmou que existia certa hostilidade dirigida a ele; não era algo explicitamente anti-semita, mas podia ser interpretado como tal (Pais, 1995, p. 375). Depois, em 24 de agosto do mesmo ano, a recém-fundada organização científica Arbetsgemeinschaft deutscher Naturforscher, organizou uma reunião na maior sala de concertos de Berlim com o objetivo de criticar o conteúdo da teoria da relatividade e a alegada propaganda de mau gosto que seu autor fazia em torno dela. Três dias depois Einstein comentou a reunião, dizendo que as reações poderiam ter sido outras se ele fosse "um cidadão alemão, com ou sem suástica, em vez de um judeu com convicções liberais internacionais" (Pais, 1995, p. 375).

Com a eleição de Hitler para o cargo de Chanceler, em janeiro de 1933, a perseguição a Einstein ameaçava atingir níveis insuportáveis. Em visita a algumas instituições americanas (Esteve no Caltech de dezembro de 1932 até março de 1933. Depois visitou, brevemente, a Universidade de Nova York e a Universidade de Chicago), Einstein deveria voltar para a Alemanha, mas foi desaconselhado por Paul Schwartz, cônsul alemão: "Se você for para a Alemanha, Albert, vão arrastá-lo pelas ruas pelos cabelos" (Brian, p.271). Referindo-se a um discurso que Einstein fez aos pacifistas americanos, um editor de jornal em Berlim escreveu: "(...) esse enfatuado monte de vaidades ousou emitir um julgamento contra a Alemanha sem saber o que acontece por aqui, coisa que serão eternamente incompreensíveis para um homem que, para nós, nunca foi alemão, e que se diz judeu e nada mais que judeu" (Brian, p.272). Logo em seguida tropas de choque revistaram o apartamento de Einstein em Berlim, mas saíram de mãos vazias. Margot havia transferido, clandestinamente, todos os papéis importantes para a Embaixada da França em Berlim. Tropas de choque (as S.A.) revistaram a casa de campo de Einstein, em Caputh (pequena aldeia perto de Berlim) em busca de armas e munição, pois tinham informações de que ele dera permissão para militantes comunistas estocarem equipamento militar em sua propriedade. Nada foi encontrado, além de uma faca de pão! (Brian, p. 272). Tais acontecimentos haviam sido previstos por Einstein. De acordo com Abraham Pais (Pais, 1995, p.377), ao fechar a casa em Caputh ele teria dito a Elsa: "Dreh dich um. Du siehst's nie wieder" ("Olha em volta. Não voltarás a vê-la").

 

 

 

 

 

 CHEGADA  AOS  ESTADOS UNIDOS

 

Dos Estados Unidos Einstein foi para Antuérpia, chegando no dia 28 de março de 1933. Logo depois fixou residência em Le coq sur Mer, na costa belga. Juntaram-se as filhas de Elsa, Ilse e Margot, a secretária Helen Dukas, e o assistente de Einstein, Walther Mayer. Em 9 de setembro Einstein deixou o continente europeu para sempre; foi para a Inglaterra. Em 7 de outubro embarca em Southampton, juntando-se a Elsa, Helen Dukas e Walther Mayer, que haviam embarcado em Antuérpia. Dez dias depois estavam chegando a Nova York. Depois da quarentena foram conduzidos diretamente a Princeton, onde permaneceria, trabalhando no Instituto de Estudos Avançados.

Sua presença nos Estados Unidos sempre teve grande repercussão pela sua história anterior e pelo seu carisma, mas seu trabalho científico, durante o exílio americano, jamais causou o impacto dos trabalhos anteriores. Entre as várias atividades e manifestações políticas, ganhou grande destaque suas cartas ao presidente Roosevelt, incentivando-o a apoiar o programa de fabricação de armas atômicas. Sabe-se todavia que a participação de Einstein foi apenas marginal. Na verdade, era "quase-ignorante" em física nuclear. Em 14 de março de 1939, ao completar sessenta anos, Einstein deu uma entrevista ao New York Times, na qual declarava não acreditar que a energia liberada no processo de divisão do átomo pudesse ser usada para fins práticos. Em julho, depois de ouvir os comentários de Leo Szilard e Eugene Wigner, e convencido de que os alemães poderiam fabricar uma bomba nuclear, ele exclamou: "jamais pensei nisso". Em 2 de agosto, Einstein escreveu a famosa carta para o presidente Roosevelt, alertando-o para a possibilidade da bomba nuclear alemã. Aparentemente, esta carta não causou grande impressão no governo norte-americano; os recursos destinados para as pesquisas sobre fissão nuclear eram insignificantes. Por sugestão de alguns cientistas, Einstein escreveu outra carta para Roosevelt, em 7 de março de 1940. Mais uma vez, o Presidente não foi significativamente influenciado, pois só decidiu iniciar o projeto Manhattan em outubro de 1941. Do que se sabe, a participação de Albert Einstein nesse projeto resume-se aos fatos aqui mencionados. Nos últimos anos da sua vida ele teria dito (Pais, 1995, p.539): "Se soubesse que os alemães não seriam bem-sucedidos na produção da bomba atômica, não teria levantado um dedo".

MORTE

 

Na manhã do dia 18 de abril de 1955, após ter sido internado no hospital de Princeton, Albert Einstein morre e no mesmo dia ele foi cremado em Trenton, Nova Jersey às l6:00hs deixando muitos ensinamentos, tristeza e saudade e que segundo as palavras de sua filha adotiva, Margot   

" A serenidade de sua morte ensina-nos como devemos viver  "

e o grande filósofo Baruch Spinoza, de quem Einstein foi uma grande admirador   

" O homem livre em nada pensa menos que na morte; e sua sabedoria não é uma meditação da morte, mas da vida.  "

 

 

 

FRASES DE EINSTEIN

 

 

“Sem esta fé eu não poderia ter uma convicção firme e inabalável acerca do valor independente do conhecimento”

 

“Tudo é Relativo”

 

“Os ideais que iluminaram meu caminho e sempre me deram coragem para enfrentar a vida com alegria foram a Verdade, a Bondade e a Beleza”

 

"Imagination is more important than knowledge"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS

 

 

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